domingo, 17 de fevereiro de 2008

O segredo

Estávamos os dois deitados nas nuvens. As horas não passavam, os minutos não passavam, nem sequer os minutos se atreviam a passar. De facto o tempo não passava... O tempo não existia, porque nós é que mandávamos no tempo! O tempo era o que nós quissessemos. Foi então que aconteceu... Puxei-te para um cantinho escuro. Não era escuro, simplesmente não era de ninguém. Era de quem o apanhasse. Apanhámo-lo: era nosso, era o nosso segredo! O silêncio gritava deixando apenas passar a respiração. E foi neste simples e silêncioso momento que eu te puxei para ao pé de mim, de modo a ficarmos mesmo juntinhos. Estávamos tão perto que conseguíamos ouvir os pensamentos do outro. Então, eu disse, cortanto o silêncio - És o meu melhor amigo!

17-02-08

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Lágrimas Derramadas

Tinha acabado de sair de uma discussão. Sabia que não tinha razão no meio daquilo tudo... Tinha agido mal, confessava. Mal pode foi a correr e enfiou-se na sua cómoda cama agarrada a uma imensidão de almofadas. Como ela gostava dessas almofadas! Tão moles, reconfortantes. Tanto carinho que ela sentia quando agarrava as almofadas. Continuou num choro contínuo recordando o que tinha feito. E quando começava a acalmar-se pensava, estupidamente, que se sentia MUITO arrependida e que para isso teria que continuar a chorar.
E assim continuou... Chorou e chorou durante horas. Estava à espera que a viessem reconfortar, que a viessem abraçar e dizer: "Já passou. Tem calma. Eu adoro-te!"Esperou minutos a fio que pareceram horas. Adormeceu em pensamentos profundos. Pensamentos de que já não se lembrava.

Pensamentos dela e só dela.Rolavam lágrimas redondas pela cara. Um tanto redondas, um tanto quadradas, um tanto do que nós quiséssemos, um tanto dos pensamentos, um tanto de reconforto. Simplesmente iam carregadas com tudo! Andavam rapidamente, como que fazendo uma corrida para ver quem chegava primeiro. Algumas delas, pequeninas reuniam-se a umas maiores e assim ganhavam velocidade. Era uma prova extasiante, especialmente para quem produzia os concorrentes. No fim da "prova" encontrava-se um mar de água. Amontoados de lágrimas descansavam nas fofas almofadas. E quando perdiam a força toda, acabavam por se evaporar. Era como que algo sem sentido.

Continuava a espera que a viessem reconfortar, mas desta vez não vieram. Então, sozinha com a solidão continuava a chorar desta vez por achar que ninguém a iria perdoar.Decidiu então enfrentar a situação. Levantou-se convicta! Ergueu a face, limpou as lágrimas. Mirou o mar que ela própria tinha produzido. Acho que era um tanto cómico. Chamou-lhe "Lago de tudo perdido". Irritou-se! Atirou a almofada pela janela com as lágrimas. Estas entraram em pavor, tentando não cair. A almofada foi engolida pelo ar e nunca mais apareceu.
Então, a menina chorou. Chorou porque nada fazia certo!

06-02-2008