sexta-feira, 11 de abril de 2008

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Era um sorriso
Um pouco solitário até
Sentia a saudade
Mas não mexia o pé

Fingia que nada acontecia
Que nada ia acontecer
Depois chorava sozinha
Até anoitecer

Ficava parada
Deixando o tempo passar
Mas tudo o que queria
Era simplesmente ignorar

Ignorar a merda
Ignorar o sentimento
Até dar uma queda
Até desaparecer o momento

Percebeu então
Que era algo diferente
Não era apenas ignorar o momento
Era ir em frente

(...)

domingo, 17 de fevereiro de 2008

O segredo

Estávamos os dois deitados nas nuvens. As horas não passavam, os minutos não passavam, nem sequer os minutos se atreviam a passar. De facto o tempo não passava... O tempo não existia, porque nós é que mandávamos no tempo! O tempo era o que nós quissessemos. Foi então que aconteceu... Puxei-te para um cantinho escuro. Não era escuro, simplesmente não era de ninguém. Era de quem o apanhasse. Apanhámo-lo: era nosso, era o nosso segredo! O silêncio gritava deixando apenas passar a respiração. E foi neste simples e silêncioso momento que eu te puxei para ao pé de mim, de modo a ficarmos mesmo juntinhos. Estávamos tão perto que conseguíamos ouvir os pensamentos do outro. Então, eu disse, cortanto o silêncio - És o meu melhor amigo!

17-02-08

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Lágrimas Derramadas

Tinha acabado de sair de uma discussão. Sabia que não tinha razão no meio daquilo tudo... Tinha agido mal, confessava. Mal pode foi a correr e enfiou-se na sua cómoda cama agarrada a uma imensidão de almofadas. Como ela gostava dessas almofadas! Tão moles, reconfortantes. Tanto carinho que ela sentia quando agarrava as almofadas. Continuou num choro contínuo recordando o que tinha feito. E quando começava a acalmar-se pensava, estupidamente, que se sentia MUITO arrependida e que para isso teria que continuar a chorar.
E assim continuou... Chorou e chorou durante horas. Estava à espera que a viessem reconfortar, que a viessem abraçar e dizer: "Já passou. Tem calma. Eu adoro-te!"Esperou minutos a fio que pareceram horas. Adormeceu em pensamentos profundos. Pensamentos de que já não se lembrava.

Pensamentos dela e só dela.Rolavam lágrimas redondas pela cara. Um tanto redondas, um tanto quadradas, um tanto do que nós quiséssemos, um tanto dos pensamentos, um tanto de reconforto. Simplesmente iam carregadas com tudo! Andavam rapidamente, como que fazendo uma corrida para ver quem chegava primeiro. Algumas delas, pequeninas reuniam-se a umas maiores e assim ganhavam velocidade. Era uma prova extasiante, especialmente para quem produzia os concorrentes. No fim da "prova" encontrava-se um mar de água. Amontoados de lágrimas descansavam nas fofas almofadas. E quando perdiam a força toda, acabavam por se evaporar. Era como que algo sem sentido.

Continuava a espera que a viessem reconfortar, mas desta vez não vieram. Então, sozinha com a solidão continuava a chorar desta vez por achar que ninguém a iria perdoar.Decidiu então enfrentar a situação. Levantou-se convicta! Ergueu a face, limpou as lágrimas. Mirou o mar que ela própria tinha produzido. Acho que era um tanto cómico. Chamou-lhe "Lago de tudo perdido". Irritou-se! Atirou a almofada pela janela com as lágrimas. Estas entraram em pavor, tentando não cair. A almofada foi engolida pelo ar e nunca mais apareceu.
Então, a menina chorou. Chorou porque nada fazia certo!

06-02-2008

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Ver o Mundo

O nos difere, o que nos torna diferentes, o que faz com que eu seja eu e tu sejas tu é apenas a forma como vemos as coisas. Não acredito nessa coisa das teorias de evolução. O que para mim é fantástico, para ti é uma seca. O que tu gostas de fazer não será provavelmente o que eu gosto de fazer. O que para mim tem piada, para ti é estupidez.
Para mim, um pássaro é algo de misterioso, para ti é algo normal. Para ti, uma bolha de sabão a flutuar no ar é incrível, mas para mim é desinteressante…

O que nos difere é a forma como vemos o mundo.

Cai uma folha. Para ele é como que uma dança do “Baile dos cisnes”. Para ela é algo natural, algo que acontece todos os dias.
Por isso é que quando viajamos as culturas e as pessoas são diferentes. Simplesmente elas vêm o mundo de lá para cá e nós vemo-lo de cá para lá. Curioso, não é?
Por isso é que não percebemos tudo! Porque nós ao querermos perceber tentamos ver as coisas com outros olhos. E como não são os nossos olhos não vemos! Não vemos, não percebes. Uma ideia um pouco rebuscada…

Percebendo o mundo, vês com os teus próprios olhos. Vê e repara na beleza natural. Não olhes simplesmente, pois assim nada vais ver!

29-01-2008

Frase sagrada

"opahhh tenho de dar importancia as pequenas coisas, para elas se tornarem grandes, nao e?"

Apetece!

Apetece-me rir, apetece-me escrever! Apetece-me sorrir 24 horas por dia, e rir ate nao aguentar, apetece-me mijar de tanto rir! E depois ter soluços. Apetece-me ser feliz um bocadinho. Apetece-me voar. Atirar-me de um prédrio e ser engolida pelo ar. Assim... "PLOFT!"

Apetece-me matar o despertador, e atirá-lo pela janela. Apetece-me ser a dona do tempo e eu é que sei quando é que está na hora certa! Apetece-me ser diferente. Apetece-me plantar batatas e cenouras e batatas. Apetece-me sorrir até ficar com os músculos da cara da doer.

Apetece-me..

30-01-2008

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Drogados em felicidade

Tinham os olhos negros e um ar assustador. Estavam sentados num banco construído ao acaso. Ele sentado normalmente e ela de pernas cruzadas. Pareciam um tanto bêbedos, ou drogados. Drogados de felicidade! Viciados naquela coisa onde dizem para não nos metermos. Pareciam tão felizes… Conversavam sobre a vida. Conversavam sobre coisas estúpidas devido ao efeito da “droga”. Realmente, quando nos rimos não dizemos coisa com coisa, apenas queremos rir mais! Ciclo vicioso…
Era um tanto assustador… Duas pessoas tão felizes! :S
Riam porque nada diziam, e nada diziam porque estavam a rir! Eram como que dois ursos feios que passavam a vida na casota! Ou como dois noivos queridissimissimidissimidississimissidíssimos. Ou como um Miguel Pires e uma Inês Moreira. Ou apenas como um Sr. Invasão e uma miss.querida. Basicamente combinavam! Combinavam como o branco e o preto, ou como o amarelo e o castanho, ou como o azul e o laranja, ou como quaisquer duas cores! Combinavam… Mais nada!
Subitamente deixaram de falar, apenas apreciavam o sol. Apreciavam-no como se fossem plantas. Plantas a fazer a fotossíntese.
Ela, pequena e sorridente considerava-se uma pessoa que diziam coisas sem sentido. Ele, alto e querido considerava-se uma pessoa que gostava de pessoas que diziam coisas sem sentido. Simplesmente amavam-se! E por isso repetiam diversas vezes: “Amo-te, ya?”; ao que o outro respondia com um sorriso: “Amo-te, ya?”
Nada diziam, apenas pensavam, o que me causava uma certa curiosidade… O que é que eles estariam a pensar? Isso pouco os incomodava porque eles sabiam o que o outro pensava. Ou pelo menos achavam que sabiam…
Passava o dia, passava o tempo, passavam a horas, os minutos e os segundos. Passavam variadas pessoas. Ele levantava-se e ia cumprimentá-las, ela mantinha-se indiferente, intacta, despreocupada com o mundo. Quando ele voltava, ambos sorriam. Sorriso esse que dizia: “Não me deixes, estou aqui. Sempre?! Só podes estar a gozar! Tenho saudades… Epah! Ignora… Amo-te agora e amanhã! Pára de me pedir desculpa! Novidades? Bom dia! Deixa-me só! Deves estar a achar!”
Sorriso indecifrável. Sorriso indiferente para os demais.
Sorriso impensável. Sorriso com um grande significado. Sorriso nosso, pensavam eles…

E com um mero sorriso viro as costas e vou comprar um chupa-chupa!

28-Jan-08